Boletim


Publicado em: 05/2016


Novas práticas ameaçam o Projeto Acadêmico


     O processo democrático da Unimep se consubstancia nas práticas coletivas que vêm construindo o seu projeto acadêmico, orientado pelo valor guia da Política Acadêmica, que determina a construção da cidadania enquanto patrimônio coletivo da sociedade civil. Neste sentido, a Adunimep, como legítima representante do corpo docente da Universidade, entende que a cidadania, no âmbito da Unimep, exige, diuturnamente, o debate e a participação efetiva dos professores nas esferas institucionais e colegiadas.
 
     Para nosso espanto e decepção, a academia foi surpreendida com a decisão arbitrária e unilateral da Faculdade de Engenharia e Arquitetura (FEAU), que na tentativa de credenciar a sua nova proposta de adequação curricular, baseada nas junções das disciplinas nos cinco primeiros semestres e com redução de mensalidades, fere gravemente a ordem institucional colegiada, ao ser convencida pelo Reitor a apresentá-la para a Direção Geral do IEP, Sr. Robson Aguiar, em São Paulo, antes mesmo de ser apresentada e discutida junto às instâncias e aos colegiados da Universidade. Isto legitima o não-respeito,
atropelando a nossa autonomia acadêmica e ferindo estatuto e regimento da Unimep.
 
     A nossa preocupação com esta postura antidemocrática é que, a busca de soluções unilaterais, não permeiam e nem consolidam o projeto de Universidade que está no nosso ideal. Práticas que visam apenas a salvação particular mediante ações isoladas não contribuem para a superação dos problemas da Unimep em tempos de crise. Levar a discussão de assuntos e temas que são próprios da Instituição, sejam acadêmicos ou financeiros, para apresentação e debate em outras esferas, não pode ser aceita como natural e normal.
 
     Além desta lamentável e equivocada iniciativa da Reitoria junto à FEAU, cabe ressaltar, entre outras, que também desrespeitam nossos espaços internos de discussão e suas respectivas competências, o que vem ocorrendo no Consun. Na sua última reunião, dos sete ítens de pauta, seis eram referendos da Reitoria.

 

     Assim sendo, todo cuidado deve ser tomado para que sejam preservadas nossa cultura e nossas práticas institucionais, como uma das razões de ser da nossa qualidade acadêmica, reconhecida externamente, inclusive pelos órgãos colegiados da Igreja Metodista.
 
     Para finalizar, a Adunimep reforça a gravidade do que foi exposto, considerando o quanto estamos sujeitos às intervenções externas ao processo acadêmico, que tem “engessado” o nosso poder de decisão, desconstruindo assim a nossa história e identidade. Se as intervenções de fora já estão sendo materializadas, desfigurando o projeto institucional, o que será desse processo de escolha de um novo reitor, através de um edital construído burocraticamente, demonstrando um claro descompromisso e distanciamento da comunidade acadêmica?